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segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Paralimpíada: A medalha vem agora!

(A colaboradora Raquel Daffre, árbitra das Paralimpíada Rio 2016, publica nova postagem. O mundo não pode mais ser tal como o conhecemos)

Paralimpíada: A medalha vem agora!

Durante as Paralimpíada do Rio, foram distribuídas muitas medalhas. Atletas movidos pelo calor e pela energia das arquibancadas quebraram recordes, se superaram e conquistaram as tão sonhadas medalhas. Um sonho para estes atletas! Mas antes de atletas, eles são pessoas. Pessoas com deficiência que vivem na mesma sociedade das pessoas sem deficiência.  Por isso, digo que a maior premiação, a medalha mais reluzente, brilhante e valiosa ainda está por vir! Esta medalha será entregue para todos nós, que aprendemos a respeitar a todos, não importando qual deficiência a pessoa tenha. Será entregue para o engenheiro que substituir uma escada por uma rampa, para o dono de padaria que fizer a bancada de pedido dos pães mais baixa, para o empresário dono de frota de ônibus que colocar nas ruas  transporte acessível, para o professor que incluir os alunos em sua aula e para tantas outras pessoas que, a partir do encerramento da Paralimpíada, irão mudar as suas atitudes para que tenhamos uma verdadeira sociedade inclusiva!

Então vamos lá! Mude as suas atitudes, suba no pódio e receba sua medalha!

(Por Raquel Daffre)

sábado, 10 de setembro de 2016

Paralimpíada ou Paraolimpíada: dúvida

Paralimpíada ou Paraolimpíada: dúvida ortográfica

Socorremo-nos em duas obras para entender o problema: os dicionários de Antônio Houaiss e o Ortográfico da Academia Brasileira de Letras. Houaiss registra que temos uma má formação no caso do primeiro nome - paralimpíada - ao atendermos pedido do Comitê Olímpico Internacional. Acompanhamos de perto o nome inglês paralimpic. Desta forma, a  palavra paralímpico está dicionarizada, no entanto, não segue a formação de nomes corrente na Língua Portuguesa.
O Dicionário ortográfico da Academia Brasileira de Letras é como o nome indica, não um dicionário de significados (acepções) e etimológico como o Houaiss, mas inventário dos registros corretos e aceitáveis. No caso que aqui nos interessa, não há entrada para paralimpíada, apenas para paraolimpíada.
Em resumo: paralimpíada está lá no dicionário, todavia, não é, de acordo com as regras de formação da língua portuguesa, a maneira correta de grafá-la.

quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Paralimpíadas: motivos para prestigiá-la

(Nimbus ganha novo colaborador, Raquel Daffre de Arroxellas. Ela nos fala sobre Jogos Paralímpicos e sociedade, respeito e dignidade)



Paralimpíadas: motivos para prestigiá-la

Sabe-se que na inclusão, todos possuem os mesmos direitos e acessos. Não existe a perfeição, pois sempre seremos bons em uma situação e ruins em outras. As Paralimpíadas reúnem somente os perfeitos! Sim! Pessoas com deficiência, mas perfeitos na habilidade esportiva que disputam.
Se tomarmos esta ótica, as Paralimpíadas não promovem a inclusão, pois se assim fosse, as pessoas com deficiência participariam dos mesmos jogos que as pessoas sem deficiência.
Então, em um mundo cada vez mais voltado para a inclusão, por qual razão devemos prestigiar as Paralimpíadas?
Darei aqui 3 motivos!
1
º) Para ver pessoas superando seus limites! Quem saltará mais alto? Quem correrá mais rápido? Quem marcará mais cestas? Independe de ter ou não deficiência, os super-homens e mulheres atletas são sempre uma inspiração para nós, meros mortais.
2º) Conhecer novas modalidades esportivas e, quem sabe, praticá-las! A bocha adaptada e o goalball são modalidades praticadas, no formato competitivo, apenas por pessoas com tetraplegia e deficiência visual, respectivamente. Por que não, ir ao parque com sua família para disputar uma partida de bocha adaptada em um sábado à tarde?
3º) Entender as capacidades para não julgar pelas limitações! Assistir as Paralimpíadas é uma excelente oportunidade de enxergar as pessoas com deficiência pela ótica do que elas são capazes de fazer e não pelo julgamento regado de sentimentalismo como “coitadinho, ele não anda”.

Assim, termino deixando um convite: Assistam às Paralimpíadas da mesma forma que assistiram às Olimpíadas! Torçam! Vibrem! Chorem! Entoem o hino nacional brasileiro! Porque o nosso BRASIL deve ser o Brasil de todos os BRASILEIROS!!!

(Por Raquel Daffre de Arroxellas)

quinta-feira, 11 de agosto de 2016

Olimpíada do Rio: Paulinho da Viola e o Hino Nacional

Olimpíada do Rio: Paulinho da Viola e o Hino Nacional

Cerimônias de abertura são feitas, obviamente, de escolhas. Quem cantará o hino ou qual a coreografia são decisões nada fáceis de serem tomadas. Expressam as decisões tomadas pelos responsáveis pela organização. O trabalho dos responsáveis merece elogios. Dizer que faltou isso ou aquilo não é justo, as decisões tomadas eram ótimas. Pode-se lembrar disso ou daquilo, daí nossa festa terminaria na segunda-feira à tarde, caso resolvêssemos atender a todos os pedidos e demandas.
Paulinho da Viola, vestido de azul Portela, foi escolha encantadora. Lembro-me de suas lindas canções, que, hoje, merecem e precisam ser ouvidas e ouvidas, ajudaria a apurar os nossos ouvidos e melhorar o nosso andamento como sociedade.

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Santos Dumont (2): o motor de combustão interna

Santos Dumont (2): o motor de combustão interna

O homem de gênio sabe valer-se daquilo que tem ao alcance de suas mãos. O motor de combustão interna transformava a sociedade, tratava-se de um motor pequeno se comparado aos movidos a vapor e aos elétricos, no entanto, se era menor revelou-se mais forte. O chamado motor de combustão externa, a partir de agora, veria o seu uso ser reduzido.
Santos Dumont não era o seu inventor, todavia, percebeu que as dimensões menores e a capacidade de força do motor de combustão interna poderiam servir aos propósitos das máquinas de voar.
A percepção aguda e a disposição para criar eram a sua natureza.

(continua)

terça-feira, 9 de agosto de 2016

Olimpíada do Rio: o voo de Santos Dumont (1)

Olimpíada do Rio: o voo de Santos Dumont (1)

A festa de abertura contou, entre outros ricos momentos, com o Sr. Santos Dumont e o seu lindo 14 Bis. Desde jovem, aluno do antigo ensino primário, ao tempo em que falar de herói nacional confundia-se com ações governamentais, abracei Santos Dumont. Cresci e percebi que o Sr. Santos Dumont era merecedor da auréola de herói. Hoje, adulto, eu o defendo como brilhante e criativo inventor, meu herói, portanto.
Assistir à corrida da bela aeronave e vê-la alçar voo indo além do Estádio do Maracanã é rica e bela lembrança a respeito de um Brasil que trabalha e encanta. Sim, o ofício do Sr. Dumont encontrou em terras estrangeiras a chance e a oportunidade para criar as suas obras-primas de engenharia: balões, dirigíveis e aviões (mais pesado do que o ar). Será a sociedade francesa que o acolherá e o ajudará, aliás, a mesma sociedade francesa, que, anos depois, o perseguirá como criminoso ao saber que o Sr. Dumont rejeitava o uso militar de sua invenção. O Sr. Dumont é, verdadeiramente, alguém além do seu tempo - inventor - sonhou o avião e um mundo melhor.

(continua)

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Olimpíada do Rio: a abertura e a ecologia

Olimpíada do Rio: a abertura e a ecologia

A arte de contar em poucos minutos a história de séculos do Brasil. Para tanto, engenhosidade, repertório e criatividade colocam-se ao serviço de  artistas e diretores. Eles sonharam nossa fundação e representaram. O Brasil vislumbrado na apresentação assumiu preocupações ecológicas, denunciou a destruição do planeta. Batalha mítica entre Brasis. Aquele que anseia pelo equilíbrio da vida e aquele outro que suja os pés no desmatamento e na destruição do Mundo Natural. Ambos são o meu país.  A abertura se vestiu do primeiro Brasil, o segundo espreita sorrateiro e barulhento como uma motosserra.

domingo, 7 de agosto de 2016

Olimpíada do Rio: personagens árabes - os imigrantes

Olimpíada do Rio: personagens árabes - os imigrantes

A festa de abertura dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro (2016), entre outros personagens, falou de árabes entre os grupos de imigrantes.
Visto que Olimpíada é cultura vamos aproveitar para aprender:
Aos dias do Brasil Império, de forma particular, do Segundo Reinado (1840-1889), vivíamos a transição do regime escravocrata - nossa barbárie - para o de trabalho livre. No década de 1870, o Imperador Pedro II realizou longa jornada de visitas  entre a  Europa, a África e a Ásia. As viagens diplomáticas, do século XIX, diferentemente das que realizamos hoje, levavam meses. A viagem de barco pedia que se aproveitasse ao máximo o tempo e, desta forma, viajar pelo Atlântico Norte e pelo Mediterrâneo era um périplo por capitais e visitas.
Pedro II e a sua comitiva visitaram países árabes, a rica viagem pode ser apreciada na Coleção Fotográfica da Imperatriz Thereza Cristina que faz parte do Acervo da Biblioteca Nacional. Tradicionalmente, a historiografia brasileira considera este o início da imigração árabe para o Brasil, a viagem do Imperador Pedro II.


As Olimpíadas e As Feiras Mundiais

As Olimpíadas e as Feiras Mundiais

Outrora, cidades e países orgulhosos de suas sociedades e de suas economias, mostravam ao mundo em grandes Feiras o que tinham de melhor. Engenheiros desdobravam-se em seus aparatos e experimentavam, criavam, semeavam o desejo de futuro que ali era apresentado. Havia muito de ficção científica nas Feiras Mundias.
O mundo contemporâneo, infelizmente, perdeu o interesse pelas grandes Feiras; não perdeu, no entanto, interesse pela invenção e criatividade. Feiras de informática ou o lançamento de um produto, nos dais de hoje, podem chamam a atenção, nada assemelhado ao apelo e ao charme das Feiras.
Os Jogos Olímpicos, em certa medida, respondem a parte do anseio que nossas sociedades guardam de celebrar um sociedade. Aprendemos sobre outros mundos, línguas, culturas, dramas e anseios.

(continua)

Relatos de um professor de História: Olimpíadas, mitos e superação.

(Kauê Vinicius, colaborador do Nimbus, considera o tema Olimpíada a partir da perspectiva da sala de aula)

Relatos de um professor de História: Olimpíadas, mitos e superação.

Nesta semana em uma sala de nono ano, busquei trazer o tema das Olimpíadas em um contexto muito difícil na história contemporânea: o nazismo. Sabe-se que a Alemanha nazista sediou os Jogos Olímpicos em Berlim, no ano de 1936, três anos antes de eclodir a Segunda Guerra Mundial, criando uma falsa imagem de um Estado tolerante diante de outros países. A propaganda política do partido relacionava a cultura clássica greco-romana em seu discurso, levando o (violento) mito da “pureza ariana” em todas as esferas da sociedade alemã.  Conduto, viu-se que os atletas que obtiveram melhores resultados naquelas olimpíadas não foram, como queria Hitler e seus seguidores, os alemães, mas sim os atletas negros norte-americanos, com destaque para  o neto de escravos Jesse Owens, medalha de ouro  nos 100 metros.
Para além dos dados históricos, o que vale mencionar aqui é a reflexão desenvolvida em sala de aula. Os mitos foram e ainda são elementos de construção de discursos diversos. Buscando debater isso com meus alunos, chegamos à ideia de que os Jogos Olímpicos, que originalmente estavam ligados às entidades divinas dos antigos gregos, hoje trazem como elemento intrínseco as questões entre os Estados e suas superações.

Sem deixar as devidas críticas de lado, mas também visualizando seus aspectos construtivos, os jogos possibilitam abrir questões muito amplas em sala. Possibilitam a visualidade das contradições inerentes aos grandes eventos, onde mora tanto a beleza da arte performática, quanto o pesado choque de realidades concretas. 

(Por Kauê Vinicius)

sábado, 6 de agosto de 2016

Olimpíada do Rio: a pira segundo Anthony Howe

Olimpíada do Rio: a pira segundo Anthony Howe

A engenharia-arte praticada pelo artista norte-americano Anthony Howe (n.1954), aos meus olhos, sonha nova era do metal. Em um primeiro instante a sua arte pode lembrar a de um renomado relojoeiro, um olhar lento, todavia, sugere um homem que não deseja anotar o tempo mecânico. Escultura orgânica, pulsante, da mesma ordem de uma gota de tinta na água cristalina. Regular, irregular, de encher os olhos. O relógio abandonado, a natureza buscada. O metal de Howe respira.
A pira aproxima-se, reserva distância, flerta com o metal, incendeia de amarelo vibrante a sua nova auréola.
A rigor, há a escultura e uma pira. Ainda me pergunto se ambas estão a conversar, de qualquer forma, fiquei comovido com o resultado.

(vale conhecer o artista e a arte:  www.howeart.net)

sábado, 23 de julho de 2016

Olimpíada do Rio de Janeiro: a equipe de refugiados

Instituições esportivas, ao longo do mundo, mostram-nos de forma constante a face torta da corrupção e de desvios de propósito. Não é esta uma nota sobre a contramão da cidadania, mas como em meio a tantas vozes mal-intencionadas surge o que parece ser um alento. As Olimpíadas do Rio de Janeiro (2016) contarão com uma equipe de refugiados. Quenianos, sírios, congoleses e sul-sudaneses estão entre os selecionados para compor a equipe. Utilizarão a bandeira do COI - a dos arcos coloridos - e desfilarão antes da equipe brasileira na cerimônia de abertura. A equipe em questão chama a atenção das sociedades para uma Terra em conflito. Guerras que levam milhares de pessoas todos os anos a buscar abrigo, asilo e exílio. Estamos doentes e a equipe nos lembra de nossa tragédia. Para além dos maus usos de eventos esportivos, da ambição de mandatários, a equipe de refugiados merece atenção redobrada pelo sinal que carrega: a das nossas culpas e a nossa esperança.
(colaborou Vany Abdalla)