Crônicas de um pai: assediada
roteiro tantas vezes repetido:
escritora fala sobre si mesma e o seu trabalho, utiliza as redes sociais para os seus registros.
expor-se a coloca como alvo de comentários de todo tipo, entre outros, os assédios.
lá pelas tantas, a escritora solta o verbo e responde, ou melhor, chuta o balde na cabeça do agressor,
com isso, expõe a agressão. entre nós expor a o gesto deseducado e moralmente recriminável é muitas vezes tratado como algo pior do
que a atitude do agressor.
não é está nota sobre uma escritora em particular, mas sobre todas as escritoras vítimas de
homens machistas e vulgares que usam a rede (distância e anonimato) para dizer e revelar o quanto são tolos
(para dizer o mínimo).
se a mulher expõe a agressão sofrida, triste escolha, ela será recriminada por chutar o balde.
o silêncio é o que se deseja da pessoa agredida, já que o agressor - físico e virtual - anda impune e
acaba de tomar o elevador do condomínio.
minha doce lulu, minha querida vany, o mundo está doente. estou aqui e vou fazer como nossa filha tantas vezes pede: 'liga para a doutora'. Enquanto conversava com a doutora camila, rabisquei meu silêncio aqui.
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quarta-feira, 26 de junho de 2019
Crônicas de um pai: assediada
Crônicas de um pai: a médica, a girafa e o hipopótamo não tomam banho
Crônicas de um pai: a médica, a girafa e o hipopótamo não tomam banho
a mãe: filha, vamos tomar banho!
a menina: não, não quero tomar banho
a mãe: nada disso, ontem já não quis tomar banho.
a menina: não, porque a médica, a girafa e o hipopótamo não tomam banho, tomam quinta-feira
a mãe: não sei se não tomam banho, mas você vai tomar
a menina: socorro! socorro!
ps. ambas tomaram banho, já a médica, a girafa e o hipopótamo fugiram apressadas
quando ouviram a água do chuveiro cair
a mãe: filha, vamos tomar banho!
a menina: não, não quero tomar banho
a mãe: nada disso, ontem já não quis tomar banho.
a menina: não, porque a médica, a girafa e o hipopótamo não tomam banho, tomam quinta-feira
a mãe: não sei se não tomam banho, mas você vai tomar
a menina: socorro! socorro!
ps. ambas tomaram banho, já a médica, a girafa e o hipopótamo fugiram apressadas
quando ouviram a água do chuveiro cair
terça-feira, 25 de junho de 2019
Crônicas de um pai: dois anos e oito meses
Crônicas de um pai: dois anos e oito meses
ela anda chorosa, há um dente que a incomoda. mais do que isso, creio que os anos já pesam. deu-se conta de que o tal do crescimento e das mudanças envolvidas não são nada fáceis.
ela é uma menina-quase mocinha. interessa-se por tudo, se há estrelas no céu ou maçã em sua fruteira. chamou-me ontem à noite para brincar em sua casa de bonecas. vive a dizer que as suas bonecas estão doentes, mamadeiras e remédios imaginários estão por todo lado. deixou-me feliz quando reuniu o casal que mora em sua casa de bonecas e a filha para um abraço.
pediu-me skate do homem-aranha (a mãe surtou, pelo pedido e por eu ter aceitado). anda agarrada às suas amigas. cacá, sempre ao seu lado, agora é acompanhada ora de um coelho, ora de um porquinho. o círculo de amizades cresce. subindo escadas de casa, parou quando percebeu que das frestas do degrau brotava uma flor amarela, tão grande quanto a unha de seu mindinho. colheu a flor e voltou a subir. enquanto buscava as chaves para abrir a porta a menina-quase mocinha olhou para o alto, sorriu para mim e disse: ' você está alto, papai!'. dito isso ofertou-me a flor que colhera: ' para você, papai'. depois de receber presente tão grande agradeci. 'de nada, papai!'.
ela anda chorosa, há um dente que a incomoda. mais do que isso, creio que os anos já pesam. deu-se conta de que o tal do crescimento e das mudanças envolvidas não são nada fáceis.
ela é uma menina-quase mocinha. interessa-se por tudo, se há estrelas no céu ou maçã em sua fruteira. chamou-me ontem à noite para brincar em sua casa de bonecas. vive a dizer que as suas bonecas estão doentes, mamadeiras e remédios imaginários estão por todo lado. deixou-me feliz quando reuniu o casal que mora em sua casa de bonecas e a filha para um abraço.
pediu-me skate do homem-aranha (a mãe surtou, pelo pedido e por eu ter aceitado). anda agarrada às suas amigas. cacá, sempre ao seu lado, agora é acompanhada ora de um coelho, ora de um porquinho. o círculo de amizades cresce. subindo escadas de casa, parou quando percebeu que das frestas do degrau brotava uma flor amarela, tão grande quanto a unha de seu mindinho. colheu a flor e voltou a subir. enquanto buscava as chaves para abrir a porta a menina-quase mocinha olhou para o alto, sorriu para mim e disse: ' você está alto, papai!'. dito isso ofertou-me a flor que colhera: ' para você, papai'. depois de receber presente tão grande agradeci. 'de nada, papai!'.
Crônicas de um pai: cacá, homenagem
Crônicas de um pai: cacá, homenagem
sou grato, imensamente grato. quando chegou em nossa casa, confesso, mal nos falamos.
fui negligente ao deixá-la sozinha e abandonada em um canto da casa. estava atarefado com
outras coisas, não lhe dei o devido valor.
dois anos e oito meses depois, eu me rendo. reconheço a sua sabedoria de gestos e de silêncios. sou grato pela paciência e carinho enormes que reservou para a nossa filha. outrora, você acompanhou a mãe de lulu na adolescência, não faz muito, mas hoje você reverencia outro membro da família.
não é possível falar de lulu sem falar de cacá, são gêmeas. inseparáveis nas reinações, infinitos os cuidados (nos últimos dias cacá usou mais o termômetro do que qualquer outro membro da casa no último ano).
cacá revelou-se a primeira grande parceira. os braços, sim, aquela doce e suja figura tem braços que nossa filha adora torcer enquanto mama ou pouco antes de adormecer.
lulu sabe que sua amiga precisa de banho e aprendeu que cacá usa a máquina de lavar para os seus banhos. ainda fica impaciente quando encontra a ovelha pendurada no varal e se põe a gritar: 'socorro, a cacá tá presa'. depois e toda sorrisos e a mostra a todos dizendo que sua ovelha está 'perfumada de banho'.
grato cacá!
segunda-feira, 24 de junho de 2019
Crônicas de um pai: o léo foi ao médico
Crônicas de um pai: o léo foi ao médico
menina: papai, você me ajuda?!
pai: sim, meu tesouro
menina: preciso...
pai: você precisa...
menina: o menino caiu...
pai: caiu na escola?
menina é, não, você me ajuda? ela caiu dárvore
pai: quem caiu da árvore? você caiu da árvore na escola? você está bem?
menina: caiu e foi médico, você me ajuda?
pai: filha, não estou entendendo. quem caiu?
menina: o léo
pai: quem é léo? coleguinha da escola?
menina: você me ajuda? (empurra o celular na direção do pai)
pai: é um desenho? léo é um desenho?
menina: sim, ele caiu e foi ao médico
pai: léo foi ao médico! (fala ao sistema de busca do aplicativo). Você o reconhece?
menina: não, papai! não é!
pai: vamos tentar de novo 'léo caiu da árvore'
menina: nãão, papai! (o tom é de quem está a perder a paciência)
pai: vou tentar de novo
menina: aqui ó!
pai: filha, léo é um caminhão de brinquedo?
menina: sim, caminhão caiu da árvore e foi ao médico
pai: meu amor, caminhões vão mecânico, meninas vão ao médico!
menina: sim, papai! você liga para a doutora camila?! obrigada, papai
ps. há melhor maneira de passar a tarde?
Crônicas de um pai: golpe de mestre (I e II)
Crônicas de um pai: golpe de mestre (I e II)
(I)
a menina: (geme de dor, a entonação é dramática) 'papai, papai, por favor, me dá remédio para a garganta, tá doendo'
o pai: 'sim, meu amor!'; 'alô, doutora! bom dia! lulu está doente, a garganta dói, o que devo fazer?'
a menina: (sussurrando): 'dá bolacha recheada!'
o pai: 'ah, sim doutora!'
a menina: (ao ver a bolacha ela exclama) 'ooohhh! remédio!'
(II)
a menina: (volta a gemer) 'papai, ainda dói, mais remédio, por favor'
o pai: 'se você comer as metades das bolachas que deixou no prato, eu lhe dou
mais remédio'
a menina: (resmunga inconfrmada e começa a comer tudo que deixou para trás)
o pai: (em silêncio traz mais remédio)
(I)
a menina: (geme de dor, a entonação é dramática) 'papai, papai, por favor, me dá remédio para a garganta, tá doendo'
o pai: 'sim, meu amor!'; 'alô, doutora! bom dia! lulu está doente, a garganta dói, o que devo fazer?'
a menina: (sussurrando): 'dá bolacha recheada!'
o pai: 'ah, sim doutora!'
a menina: (ao ver a bolacha ela exclama) 'ooohhh! remédio!'
(II)
a menina: (volta a gemer) 'papai, ainda dói, mais remédio, por favor'
o pai: 'se você comer as metades das bolachas que deixou no prato, eu lhe dou
mais remédio'
a menina: (resmunga inconfrmada e começa a comer tudo que deixou para trás)
o pai: (em silêncio traz mais remédio)
domingo, 23 de junho de 2019
Crônicas de um pai: dançar rock com o giancarlo
Crônicas de um pai: dançar rock com o giancarlo
ela dança, ela ama dançar. desde pequena a musicalidade fez parte de suas expressões e diversões.
encontramos gaita dos meus tempos de menino e ela aprendeu a tocar, ou a brincar de tocar. pandeiros e
violinhas, flautas e pianos virtuais estão ao alcance de suas mãos.
ela acompanha os sons, quer saber o que são. pode ser o seu jorge em comercial de mercado, música eletrônica
de comercial de sabonete ou concerto do moricone ao ar livre, nada lhe escapa.
hoje, foi dia de rock. ainda na barriga da mãe aprendeu a ouvi-los ao mesmo tempo de descobria palavra cantada
e rá-tim-bum. tudo ao seu alcance, é claro, desde que traga selo de qualidade.
hoje, ouviu rock como nunca. ganhou a sala da casa de giancarlo chiarelli para pular e fazer solo de canções.
alegre, feliz e pura energia, rock na veia!!
(grato gian!!)
ela dança, ela ama dançar. desde pequena a musicalidade fez parte de suas expressões e diversões.
encontramos gaita dos meus tempos de menino e ela aprendeu a tocar, ou a brincar de tocar. pandeiros e
violinhas, flautas e pianos virtuais estão ao alcance de suas mãos.
ela acompanha os sons, quer saber o que são. pode ser o seu jorge em comercial de mercado, música eletrônica
de comercial de sabonete ou concerto do moricone ao ar livre, nada lhe escapa.
hoje, foi dia de rock. ainda na barriga da mãe aprendeu a ouvi-los ao mesmo tempo de descobria palavra cantada
e rá-tim-bum. tudo ao seu alcance, é claro, desde que traga selo de qualidade.
hoje, ouviu rock como nunca. ganhou a sala da casa de giancarlo chiarelli para pular e fazer solo de canções.
alegre, feliz e pura energia, rock na veia!!
(grato gian!!)
Crônicas de um pai: as maçãs mordidas da fruteira (maçã nossa de cada dia)
Crônicas de um pai: as maçãs mordidas da fruteira (maçã nossa de cada dia)
aos poucos aprende a distinguir sabores e faz as suas escolhas, define combinações de cores
e de aromas. gosta de saber o que são, aceita experimentar e quando muito diz 'é diferente!'.
começou ainda bebê a comer maçãs, raspadas ou cozidas à maneira da família. sempre as
apreciou, mas agora algo mudou. passou a comer de três a quatro por dia. faz as refeições
de forma habitual e se antes comia uma ou duas, passou a outro nível de consumo.
em virtude da idade e para facilitar a sua vida trocamos a fruteira de lugar, se antes ela
se esticava para alcançá-las, agora estão à mão.
temos muito a aprender, minha filha a começar que frutas mordidas não voltam para a fruteira, 'nos as entregamos
aos pais ou as deixamos sobre a mesa'. ela ainda resiste, prefere guardá-las na fruteira
para logo mais saborear a sua maçã.
mudamos nossos hábitos, a começar pelo número de maçãs que compramos todas as semanas.
se alguém nos visitar, por favor, releve se descobrir frutas mordidas em nossa fruteira,
acontece que nem sempre nossa filha morde a mesma fruta. estamos trabalho nisso, mas
o sucesso de nossa empreitada ainda levará alguns dias.
aos poucos aprende a distinguir sabores e faz as suas escolhas, define combinações de cores
e de aromas. gosta de saber o que são, aceita experimentar e quando muito diz 'é diferente!'.
começou ainda bebê a comer maçãs, raspadas ou cozidas à maneira da família. sempre as
apreciou, mas agora algo mudou. passou a comer de três a quatro por dia. faz as refeições
de forma habitual e se antes comia uma ou duas, passou a outro nível de consumo.
em virtude da idade e para facilitar a sua vida trocamos a fruteira de lugar, se antes ela
se esticava para alcançá-las, agora estão à mão.
temos muito a aprender, minha filha a começar que frutas mordidas não voltam para a fruteira, 'nos as entregamos
aos pais ou as deixamos sobre a mesa'. ela ainda resiste, prefere guardá-las na fruteira
para logo mais saborear a sua maçã.
mudamos nossos hábitos, a começar pelo número de maçãs que compramos todas as semanas.
se alguém nos visitar, por favor, releve se descobrir frutas mordidas em nossa fruteira,
acontece que nem sempre nossa filha morde a mesma fruta. estamos trabalho nisso, mas
o sucesso de nossa empreitada ainda levará alguns dias.
sexta-feira, 21 de junho de 2019
Crônicas de um pai: 'o pássaro tá gritando'
Crônicas de um pai: 'o pássaro tá gritando'
o quintal exerce forte atração sobre maria luíza, há animais, plantas e o céu. desde pequena, aprendeu a saudar o seu quintal, agora, é ela quem me lembra da saudação diária. leva a minha lupa para buscar caracóis e minhocas,. minhocas, aliás, são o bicho da semana. o calor excessivo dos últimos dias deixou uma minhoca pequenina em apuros. lulu a apelidou de minhoca bebê. quando a descobriu pela primeira vez, tinha o nome na ponta da língua. ficou triste ao se dar conta de que ela morreu.
deu-se conta de que há aventuras diferentes em seu quintal, reinações para os diferentes períodos do dia. ir ao quintal à noite reserva-lhe um céu nem sempre estrelado. infelizmente, já aprendeu o que é poluição. dias atrás a lua cheia explodia na linha do céu e lulu gritava de satisfação.
muitas vezes eu a observo de longe, ouço os seus diálogos com a cacá, a fiel amiga de todas as horas. aprendo sobre o que conversam as duas mocinhas e fico a par das novidades do dia. hoje, eu tomava café em nossa cozinha enquanto minha filha começou a conversar com os pássaros.
um bem-te-vi que por aqui passava respondeu aos rogos de luíza e logo conversavam sobre árvores e frutas. lulu convidou-o para a visitar a mexeriqueira do pátio de sua escola e, não resistiu, correu para me contar do pássaro que gritava em seu quintal.
o quintal exerce forte atração sobre maria luíza, há animais, plantas e o céu. desde pequena, aprendeu a saudar o seu quintal, agora, é ela quem me lembra da saudação diária. leva a minha lupa para buscar caracóis e minhocas,. minhocas, aliás, são o bicho da semana. o calor excessivo dos últimos dias deixou uma minhoca pequenina em apuros. lulu a apelidou de minhoca bebê. quando a descobriu pela primeira vez, tinha o nome na ponta da língua. ficou triste ao se dar conta de que ela morreu.
deu-se conta de que há aventuras diferentes em seu quintal, reinações para os diferentes períodos do dia. ir ao quintal à noite reserva-lhe um céu nem sempre estrelado. infelizmente, já aprendeu o que é poluição. dias atrás a lua cheia explodia na linha do céu e lulu gritava de satisfação.
muitas vezes eu a observo de longe, ouço os seus diálogos com a cacá, a fiel amiga de todas as horas. aprendo sobre o que conversam as duas mocinhas e fico a par das novidades do dia. hoje, eu tomava café em nossa cozinha enquanto minha filha começou a conversar com os pássaros.
um bem-te-vi que por aqui passava respondeu aos rogos de luíza e logo conversavam sobre árvores e frutas. lulu convidou-o para a visitar a mexeriqueira do pátio de sua escola e, não resistiu, correu para me contar do pássaro que gritava em seu quintal.
quinta-feira, 20 de junho de 2019
Crônicas de um pai: a minha foto
Crônicas de um pai: a minha foto
no país da burocracia (kafka e bergman adorariam), aprendi que certo órgão público que emite registro de identificação
não aceita o registro que emite e exige que seja apresentado registro de identificação de outro órgão público.
(não cabe explicação, apenas transpiração entre filas de atendimento e a sensação de precariedade).
concluído o périplo entre mesas e telas gigantes dizendo que corredor buscar chego ao derradeiro passo da via burocrática:
tirar foto para o registro. Assustei-me, eu havia perdido cerca de 10 anos desde que cheguei ao prédio.
os cabelos brancos estão mais brancos, a testa pesada e cansada traz mais rugas, o olhar perdeu muito do viço e traz olheiras
que não tinha ao chegar.
saio mais velho de minha desaventura. ainda estou assustado com a minha foto, com o meu registro. perdi minha vida entre mesas.
será que serei reconhecido em casa? lulu ainda vai sorrir depois de tantos anos? vany ainda me espera?
no país da burocracia (kafka e bergman adorariam), aprendi que certo órgão público que emite registro de identificação
não aceita o registro que emite e exige que seja apresentado registro de identificação de outro órgão público.
(não cabe explicação, apenas transpiração entre filas de atendimento e a sensação de precariedade).
concluído o périplo entre mesas e telas gigantes dizendo que corredor buscar chego ao derradeiro passo da via burocrática:
tirar foto para o registro. Assustei-me, eu havia perdido cerca de 10 anos desde que cheguei ao prédio.
os cabelos brancos estão mais brancos, a testa pesada e cansada traz mais rugas, o olhar perdeu muito do viço e traz olheiras
que não tinha ao chegar.
saio mais velho de minha desaventura. ainda estou assustado com a minha foto, com o meu registro. perdi minha vida entre mesas.
será que serei reconhecido em casa? lulu ainda vai sorrir depois de tantos anos? vany ainda me espera?
Crônicas de um pai: a caixa de roupas
Crônicas de um pai: a caixa de roupas
aos dois anos e quase oito meses comprar roupas não é mais a mesma coisa.
quando maria luíza percebeu que sobre o sofá havia caixa trazida pelo carteiro,
revelou a sua curiosidade: 'o que é isso?'
quis abrir a caixa, aliás, vive a sua curiosidade abrindo e explorando tudo.
não há gaveta ou caixa, armário ou sacola livres de suas observações.
assim foi, caixa aberta e lulu começou a série de exclamações.
usou e brincou com os adjetivos que conhece: linda! bonita! chique!
não bastasse isso, quis usá-las.
'filha, precisamos lavá-las antes'
'preciso, não consigo, me ajude'
escolheu peças e definiu combinações.
brincou e, sobretudo sorriu feliz.
escolhida as peças, entrou na caixa na qual as roupas estavam.
pediu ajuda, 'papai, por favor, quero navegar' e lá fomos nós arrastando uma
caixa que mal comportava maria luíza pelas águas dos mares da sala e da cozinha.
terça-feira, 18 de junho de 2019
Crônicas de um pai: não há segredos
Crônicas de um pai: não há segredos
as conversas dos pais não guardam segredos há tempos,
ela fica a nos ouvir com a sua expressão de curiosa
aguardando apenas o momento de entrar e resolver tudo.
a saída encontrada, não sei quanto tempo vai durar, é soletrar.
(pais são ridículos, por isso são divertidos!)
ficamos a imaginar o dia em que maria luíza, participará
do jogo de soletrar e nos deixará sem ação.
(e quando ela se der conta do mundo que vê passar
ao longo de sua janela favorita? e quando perceber
a dor e as mazelas do mundo?)
as conversas dos pais não guardam segredos há tempos,
ela fica a nos ouvir com a sua expressão de curiosa
aguardando apenas o momento de entrar e resolver tudo.
a saída encontrada, não sei quanto tempo vai durar, é soletrar.
(pais são ridículos, por isso são divertidos!)
ficamos a imaginar o dia em que maria luíza, participará
do jogo de soletrar e nos deixará sem ação.
(e quando ela se der conta do mundo que vê passar
ao longo de sua janela favorita? e quando perceber
a dor e as mazelas do mundo?)
segunda-feira, 17 de junho de 2019
Crônicas de um pai: a lupa e o quintal
Crônicas de um pai: a lupa e o quintal
meses atrás monstrei-lhe a minha lupa, era parte de nossas brincadeiras no quintal de casa.
aos poucos entendeu que a melhorava as suas observações, não demorou e a lupa ganhou inesperados empregos.
a formiga que caminha sobre a mesa, folha perdida no chão da cozinha, a parede rabiscada de giz de cera.
a tela do computador, as calças de maria luíza. tudo ao seu redor é indagado pela lupa.
nas últimas horas, a lupa voltou ao chão e a moldura que segura a lente tornou a quebrar.
tornou a quebrar porque dias atrás durante uma de suas reinações a lupa voou longe e o primeiro estrago aconteceu.
eu lhe disse que ela estava quebrada e era preciso consertar a moldura da lupa, falei-lhe usaríamos cola.
enquanto estudava maneira de recuperar a lupa duplamente quebrada, lulu trouxe a caixa de ferramentas.
na sua maneira de pensar se a lupa estava quebrada bastava usar o martelo e o alicate e teríamos a lupa
pronta para reinações.
expliquei-lhe que o caso era para a cola, prestou atenção e fez caras lindas.
já é de buscar a lupa, estou certo que já secou, maria luíza precisa de seu brinquedo de ver o mundo.
beijo, luu
meses atrás monstrei-lhe a minha lupa, era parte de nossas brincadeiras no quintal de casa.
aos poucos entendeu que a melhorava as suas observações, não demorou e a lupa ganhou inesperados empregos.
a formiga que caminha sobre a mesa, folha perdida no chão da cozinha, a parede rabiscada de giz de cera.
a tela do computador, as calças de maria luíza. tudo ao seu redor é indagado pela lupa.
nas últimas horas, a lupa voltou ao chão e a moldura que segura a lente tornou a quebrar.
tornou a quebrar porque dias atrás durante uma de suas reinações a lupa voou longe e o primeiro estrago aconteceu.
eu lhe disse que ela estava quebrada e era preciso consertar a moldura da lupa, falei-lhe usaríamos cola.
enquanto estudava maneira de recuperar a lupa duplamente quebrada, lulu trouxe a caixa de ferramentas.
na sua maneira de pensar se a lupa estava quebrada bastava usar o martelo e o alicate e teríamos a lupa
pronta para reinações.
expliquei-lhe que o caso era para a cola, prestou atenção e fez caras lindas.
já é de buscar a lupa, estou certo que já secou, maria luíza precisa de seu brinquedo de ver o mundo.
beijo, luu
Crônicas de um pai: pintar as unhas
Crônicas de um pai: pintar as unhas
final de semana, é hora de pintar as unhas. dona vany habituou-se e criou a sua rotina e tempo certo. não contava que teria ajuda, não esperava que a sua filha de dois anos e (quase) oito meses quisesse também pintar.
não me lembro mais da primeira vez, lá se vão três meses ou mais que o ritual de pintar as unhas começou. os movimentos coordenados são surpreendentes, o silêncio e a dedicação.
fã das tintas, nossa lulu descobriu que o mundo pode ser mais divertido com as unhas pintadas. cores de mocinha, cheias de brilhos que mais lembram as bolhas de sabão que tanto pede.
final de semana, é hora de pintar as unhas. dona vany habituou-se e criou a sua rotina e tempo certo. não contava que teria ajuda, não esperava que a sua filha de dois anos e (quase) oito meses quisesse também pintar.
não me lembro mais da primeira vez, lá se vão três meses ou mais que o ritual de pintar as unhas começou. os movimentos coordenados são surpreendentes, o silêncio e a dedicação.
fã das tintas, nossa lulu descobriu que o mundo pode ser mais divertido com as unhas pintadas. cores de mocinha, cheias de brilhos que mais lembram as bolhas de sabão que tanto pede.
Crônicas de um pai: tetê de papai
Crônicas de um pai: tetê de papai
depois de longa espera eis que na manhã de sábado minha filha resolveu me homenagear,
pediu tetê de papai. pelo menos sou top 100. a lamentar ter ficado atrás de todos os cães e gatos que são amigos de minha filha. mas, por fim, estou lá na galeria de lembranças.
no mesmo dia, para desfazer a minha alegria, a mamadeira da tarde julguei, ingenuamente, que ainda seria de papai. ledo engano, ao entregar a mamadeira, maria luíza disse que era tetê de mamãe.
(é a vida!)
depois de longa espera eis que na manhã de sábado minha filha resolveu me homenagear,
pediu tetê de papai. pelo menos sou top 100. a lamentar ter ficado atrás de todos os cães e gatos que são amigos de minha filha. mas, por fim, estou lá na galeria de lembranças.
no mesmo dia, para desfazer a minha alegria, a mamadeira da tarde julguei, ingenuamente, que ainda seria de papai. ledo engano, ao entregar a mamadeira, maria luíza disse que era tetê de mamãe.
(é a vida!)
domingo, 16 de junho de 2019
Crônicas de um pai: 'você consegue, é assim ó'!
Crônicas de um pai: 'você consegue, é assim ó!
lulu tem as suas frases, tão pequena e já podemos falar de algumas de seus jeitos.
'você consegue, é assim ó'! é daquelas que te viram de cabeça para baixo.
ela vive a sua confiança e quer compartilhá-la, ela quer ensinar e demonstrar como se faz.
ouvir o 'você consegue' é um regalo, daqueles que levamos e ao longo do dia usamos.
querida maria luíza, você conseguiu de novo.
lulu tem as suas frases, tão pequena e já podemos falar de algumas de seus jeitos.
'você consegue, é assim ó'! é daquelas que te viram de cabeça para baixo.
ela vive a sua confiança e quer compartilhá-la, ela quer ensinar e demonstrar como se faz.
ouvir o 'você consegue' é um regalo, daqueles que levamos e ao longo do dia usamos.
querida maria luíza, você conseguiu de novo.
Crônicas de um pai: medos imaginários
Crônicas de um pai: medos imaginários
eles acompanham nossa filha. ao longo do dia diversas vezes somos chamados
a enfrentar lobos, bruxas e monstros. maria luíza aproxima-se falando baixo.
deseja que nos aproximemos para ouvir o que tem a dizer, quase sussurrando
diz que está com medo e pede a nossa mão para enfrentar quem a assusta.
passos lentos e coreografados, eu e a vany a acompanhamos. lulu aponta
para a porta da sala e volta a sussurrar: 'o lobo tá entrando'. nós a
defendemos e a paz volta ao reino. as fronteiras seguem íntegras e
temos histórias para contar ao redor da fogueira da noite.
(lulu, felizmente, brinca com tais medos. ela segue corajosa
e meiga)
eles acompanham nossa filha. ao longo do dia diversas vezes somos chamados
a enfrentar lobos, bruxas e monstros. maria luíza aproxima-se falando baixo.
deseja que nos aproximemos para ouvir o que tem a dizer, quase sussurrando
diz que está com medo e pede a nossa mão para enfrentar quem a assusta.
passos lentos e coreografados, eu e a vany a acompanhamos. lulu aponta
para a porta da sala e volta a sussurrar: 'o lobo tá entrando'. nós a
defendemos e a paz volta ao reino. as fronteiras seguem íntegras e
temos histórias para contar ao redor da fogueira da noite.
(lulu, felizmente, brinca com tais medos. ela segue corajosa
e meiga)
sábado, 15 de junho de 2019
Crônicas de um pai: jogar tênis
Crônicas de um pai: jogar tênis
não tínhamos raquete em casa, apesar disso, minha filha improvisou.
buscou a raquete de matar mosquitos e a pequena bola de fisioterapia da qual
se enamorou quando visitou a farmácia recentemente.
gritava como maria sharapova, fazia caretas como djokovic, perdia-se em
cacoetes como nadal e era toda maria luíza em cada saque.
vibrava a cada ponto vencedor e a cada bola perdida.
balançava a cabeça e trazia a raquete para junto do peito.
ela era autêntica tenista, esqueci-me da raquete para matar mosquitos
havia apenas o jogo.
'depressa, papai! mais rápido!'
(as bolas voavam pela cozinha)
não tínhamos raquete em casa, apesar disso, minha filha improvisou.
buscou a raquete de matar mosquitos e a pequena bola de fisioterapia da qual
se enamorou quando visitou a farmácia recentemente.
gritava como maria sharapova, fazia caretas como djokovic, perdia-se em
cacoetes como nadal e era toda maria luíza em cada saque.
vibrava a cada ponto vencedor e a cada bola perdida.
balançava a cabeça e trazia a raquete para junto do peito.
ela era autêntica tenista, esqueci-me da raquete para matar mosquitos
havia apenas o jogo.
'depressa, papai! mais rápido!'
(as bolas voavam pela cozinha)
Crônicas de um pai: o 'quarto do pula-pula'
Crônicas de um pai: o 'quarto do pula-pula'
de tanto falar, de tanto dizer o que sente e o que deseja surgem frases deliciosas.
hoje foi a vez do 'quarto do pula-pula'. isso mesmo, o quarto dos pais foi eleito por
maria luíza como o quarto de uma de suas diversões favoritas: pular e saltar.
'filha, mas a cama é para dormir'
'não, papai, é pula-pula da manu'
'e dormir?!'
'não, papai, agora não, manu quer se divertir'
(quem sou eu para dizer não, a mãe está inconformada)
de tanto falar, de tanto dizer o que sente e o que deseja surgem frases deliciosas.
hoje foi a vez do 'quarto do pula-pula'. isso mesmo, o quarto dos pais foi eleito por
maria luíza como o quarto de uma de suas diversões favoritas: pular e saltar.
'filha, mas a cama é para dormir'
'não, papai, é pula-pula da manu'
'e dormir?!'
'não, papai, agora não, manu quer se divertir'
(quem sou eu para dizer não, a mãe está inconformada)
sexta-feira, 14 de junho de 2019
Crônicas de um pai: nhenhenhêz
Crônicas de um pai: nhenhenhêz
nunca fui dado a conversas naquela língua estranha,
falada por seres bobos que aninham as suas crias
entre flocos de algodão com purpurina.
quando muito abri espaço para algumas palavras no
diminutivo, entendi que alguns
objetos serviam melhor aos dedos de lulu
se fossem diminuídos.
não, não a vi como humano pequeno, mas como criança
que pede a minha mão para crescer e caminhar pelo
mundo. aprendemos a conversar. frases simples - sujeito,
verbo e predicado - e tudo mais veio com o tempo.
dia desses vibrei quando a ouvi usando gerúndio.
ela se deu conta de que na frase que construía cabia
gerúndio. ela conseguiu.
nada de nhenhenhêz, nada de nhenhenhêzando
nunca fui dado a conversas naquela língua estranha,
falada por seres bobos que aninham as suas crias
entre flocos de algodão com purpurina.
quando muito abri espaço para algumas palavras no
diminutivo, entendi que alguns
objetos serviam melhor aos dedos de lulu
se fossem diminuídos.
não, não a vi como humano pequeno, mas como criança
que pede a minha mão para crescer e caminhar pelo
mundo. aprendemos a conversar. frases simples - sujeito,
verbo e predicado - e tudo mais veio com o tempo.
dia desses vibrei quando a ouvi usando gerúndio.
ela se deu conta de que na frase que construía cabia
gerúndio. ela conseguiu.
nada de nhenhenhêz, nada de nhenhenhêzando
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