quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Relatos de um professor: Quando os sonhos se mostram em sala

(O colaborador Kauê Vinícius traz reflexões sobre sala de aula)

Relatos de um professor:  Quando os sonhos se mostram em sala

Buscando relacionar história social e cultural com produção de artes visuais, tentei junto aos meus alunos algo inusitado. Diante do breve século XX, que deixou rastros da lógica imperialista em guerras cuja monstruosidade está presente ainda hoje, apresentei a eles as bases teóricas do movimento surrealista para que a criatividade pudesse ser exercitada.  Para tanto, direcionei a aula da exposição para o diálogo sobre os sonhos. A partir dos relatos de cada sonho buscamos reproduzi-los em gênero surrealista para futura exposição. Monstros, voos, animais bizarros, situações esdrúxulas se fizeram em papeis e em imaginação.
A partir disto defendo que ensinar e aprender história não se resume a decodificar palavras, interpretar textos e contextualizá-los, mas também e, sobretudo, usar da imaginação para fomentar criações e transformações possíveis. Assim como disse André Breton, os sonhos são tão importantes quanto a realidade da vigília, não devemos ignorá-los.

(Por Kauê Vinícius)

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Crônicas de um pai: a Primavera dos nossos dias

Crônicas de um pai: a Primavera dos nossos dias

A nova estação do ano altera a cor dos nossos dias. As plantas de nossa casa exibem os seus sinais de renovação, os pássaros se multiplicam e alteram nossa paisagem de sons. A casa e a rua, a cidade inteira ensaiam a Primavera. A deste ano será diferente, junto com ela, viveremos o milagre do nascimento. As histórias individuais, ou a história de um casal sem filhos, dará lugar a uma família. A família nasce com a criança, por isso mesmo, somos levados a um longo aprendizado. Aprendemos sobre a paternidade, digamos o óbvio, sendo um pai. Cada gesto, pequeno e grande, nos molda e capacita para nosso novo papel. Aqui a memória do amor e do afeto dos pais que tivemos retorna e aviva os dias que seguem. A Primavera dos nossos dias está a começar.

terça-feira, 20 de setembro de 2016

Crônicas de um pai: acalmar o bebê

Crônicas de um pai: acalmar o bebê

Os gestos do bebê ganham intensidade e extensão, ficamos a nos perguntar o que acontece. Maria Luíza criou um pai e uma mãe, ainda hoje, quando retornávamos do mercado, Vany deu forma a pensamento que não nos deixa: 'dentro de dias seremos três, tudo mudará'.
Após o jantar, Maria Luíza estava por demais agitada. Fiz-lhe cafuné e ela se acalmou, deve estar com sono, aliás, como dorme a nossa menina!

Crônicas de um pai: tintas, cores, paredes e um quarto novo

Crônicas de um pai: tintas, cores, paredes e um quarto novo

É divertido e trabalhoso pintar um quarto, escolher cores e equipar-se para a obra. Hoje, domino técnicas que dias atrás desconhecia. Teria feito melhor, no entanto, o tempo urge...
Estamos na 36a. semana e a qualquer instante Maria Luíza pode chegar, não podemos refazer pinturas. Nos últimos dias demorei-me demais em duas paredes. Aprendi a usar massa corrida repetindo e repetindo. Ainda assim não estou satisfeito com o resultado, mas o que fazer?
Vany gostou do resultado da combinação de cores que escolhemos, aos poucos o quarto ganha forma. Espero, de forma sincera e honesta, que seja um lugar que encha os olhos de minha filha. Primeira paisagem, primeiro aconchego, primeiro abraço. Sinal de acolhimento e desejo que o primeiro lar lhe ajude, algum dia, a bater as asas com força e com naturalidade.

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Crônicas de um pai: lembrar-se do futuro

Crônicas de um pai: lembrar-se do futuro

O nascimento de uma menininha colocará o que há de minha família sob novo diapasão, movimentará as gigantescas pás de nosso moinho. As águas correrão, uma vez mais, para o ventre da terra. O que foi e o porvir serão baralhados. Nos meus olhos encontrarei o dia de ontem e o de amanhã. O nascimento transcende o tempo. A bênção de uma vida faz nascer um pai e uma mãe. Somos filhos do afeto, escolhidos para acalentar. Sempre fomos, seremos agora.

Paralimpíada: A medalha vem agora!

(A colaboradora Raquel Daffre, árbitra das Paralimpíada Rio 2016, publica nova postagem. O mundo não pode mais ser tal como o conhecemos)

Paralimpíada: A medalha vem agora!

Durante as Paralimpíada do Rio, foram distribuídas muitas medalhas. Atletas movidos pelo calor e pela energia das arquibancadas quebraram recordes, se superaram e conquistaram as tão sonhadas medalhas. Um sonho para estes atletas! Mas antes de atletas, eles são pessoas. Pessoas com deficiência que vivem na mesma sociedade das pessoas sem deficiência.  Por isso, digo que a maior premiação, a medalha mais reluzente, brilhante e valiosa ainda está por vir! Esta medalha será entregue para todos nós, que aprendemos a respeitar a todos, não importando qual deficiência a pessoa tenha. Será entregue para o engenheiro que substituir uma escada por uma rampa, para o dono de padaria que fizer a bancada de pedido dos pães mais baixa, para o empresário dono de frota de ônibus que colocar nas ruas  transporte acessível, para o professor que incluir os alunos em sua aula e para tantas outras pessoas que, a partir do encerramento da Paralimpíada, irão mudar as suas atitudes para que tenhamos uma verdadeira sociedade inclusiva!

Então vamos lá! Mude as suas atitudes, suba no pódio e receba sua medalha!

(Por Raquel Daffre)

domingo, 18 de setembro de 2016

Crônicas de um pai: a ficha caiu

Crônicas de um pai: a ficha caiu

A cada dia, a cada peça de roupa lavada, a cada movimento do bebê ainda na barriga da mamãe, abro os meus olhos. Percebo, ou melhor, apercebo - assim mesmo, um daqueles verbos que ficaram para trás, caiu em desuso - o lugar do qual eu falo. Apercebo o fluxo de tempo, abri portas das quais apenas sabia da existência, hoje, falo a partir de uma casa que ousei tocar, falo a partir de casa cujos encantos me foram oferecidos.
Viver em tal casa, pela primeira vez, me faz lembrar de minhas primeiras letras. A paternidade me leva de volta às histórias do Antigo Testamento e das Mil e uma noites. Lembro-me de ouvir e de ler as minhas primeiras histórias - e revelações - aí. De alguma forma, o olhar do menino ressurge, lembranças de pessoas que partiram, reminiscências. O fluxo ligeiro pede muito de mim, pede que me lembre que não sou mais o menino, mas o homem, pede que reconheça que agora estou por minha conta, pede que olhe de forma cúmplice, solidária e amorosa para a minha esposa. A vida corre, o rio procura o mar. A ficha caiu.