Crônicas de um pai: o maracatu e a lanterna azul
O final da tarde sábado foi de descobertas musicais e de encontro com as rampas de acesso do Sesc Santana. A apresentação de maracatu aos olhos de nossa pequena mostrou o que podem fazer tambores e chocalhos, pernas e braços em harmonia. Os primeiros instantes a deixaram de boca aberta, logo estava brincando.
Brincar brincar mesmo foi na a rampa de acesso, longa longa. Talvez 30 metros ou cerca 3000 se considerarmos o número de vezes que a subimos para acompanhar Maria Luíza em suas andanças de aventuras. As muretas laterais da rampa dispõem de diminutas lanternas azuis de sinalização que estão próximas à linha do chão. Receosa e curiosa, Maria Luíza desejava tocar nas ditas lanternas azuis, o dedo se aproximava, mas parava. Decidi encorajá-la e eu mesmo toquei a lanterna azul. Por que fiz isso? Agora, cheia de coragem ela deseja tocar as lanternas, todas elas, todas as lanternas da interminável rampa de acesso aos andares superiores do conjunto.
Ela ri e corre, ao longe os tambores do maracatu lhe servem de fundo musical para o encantamento de suas lanternas azuis.
quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018
Crônicas de um pai: minha tia-avó e minhas primas
Crônicas de um pai: minha tia-avó e minhas primas
'Meu querido diário,
Domingo visitei minha tia-avó Nadima, ela estava linda. Papai me disse que ela se parece com a avó Nassima. Deixei a casa de pernas para o ar, sobretudo quando chegaram as minhas primas Bianca, Giovana e Sandra. Ganhei colo, corri pela casa, subi escadas, comi bolo fazendo bocão, tirei os santinhos da tia-avó Nadima do lugar, mexi em sapateiras e outras coisas que ficarão apenas entre eu e a Bi. São segredos de meninas e hão de me entender.
Bom estar em família ganhando afagos e sorrisos. Quando nos despedimos ouvi pedido da avó Nadima para que não demorássemos a voltar, ela quer me ver crescer. Vou ganhar colo e poderei brincar com linhas e fitas métricas, retroses coloridos e tesouras....ooops, a tesoura foi proibida,
Meu pai me contou que minha avó Nassima também era da linha e da tesoura, agora, será a minha vez de aprender e, assim, ver a avó Nadima mais vezes'.
'Meu querido diário,
Domingo visitei minha tia-avó Nadima, ela estava linda. Papai me disse que ela se parece com a avó Nassima. Deixei a casa de pernas para o ar, sobretudo quando chegaram as minhas primas Bianca, Giovana e Sandra. Ganhei colo, corri pela casa, subi escadas, comi bolo fazendo bocão, tirei os santinhos da tia-avó Nadima do lugar, mexi em sapateiras e outras coisas que ficarão apenas entre eu e a Bi. São segredos de meninas e hão de me entender.
Bom estar em família ganhando afagos e sorrisos. Quando nos despedimos ouvi pedido da avó Nadima para que não demorássemos a voltar, ela quer me ver crescer. Vou ganhar colo e poderei brincar com linhas e fitas métricas, retroses coloridos e tesouras....ooops, a tesoura foi proibida,
Meu pai me contou que minha avó Nassima também era da linha e da tesoura, agora, será a minha vez de aprender e, assim, ver a avó Nadima mais vezes'.
quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018
Crônicas de um pai: o que é?
Crônicas de um pai: o que é?
As surpresas são diárias, a menina de ontem ficou lá atrás. Há
outra entre nós, mais alta e preparada. As roupas encurtam, não há solução, já
trocamos os amaciantes e, ainda assim, as saias e camisetas insistem em
diminuir de tamanho. A cada dia Maria revela a sua maior capacidade de
interagir, ela percebe e entende mais e mais. A menina de ontem, ao dormir,
depois de nossa jornada juntos nos fez crer que a conhecíamos. A menina de hoje,
ao acordar, perguntou ‘o que é?’. Maria me via abrir o guarda-roupa e
estava curiosa. A frase era nova em sua boca, a combinação de fonemas inédita.
Maria acordou outra, mais alta e preparada. Eu e a mãe sem chão frente ao nosso
bebê-quase menina que insiste em nos surpreender. A vida vista de perto é
milagre que não cessa de nos arrebatar.
Crônicas de um pai: pai, ôppai, papai, papaiee
Ao descobrir e brincar com a linguagem a pequena Maria cria
situações ternas e irresistíveis. Ela toma pé da situação e aprende como nos
chamar. Ôppai, mamã e por aí vai. Ela sabe o que os nomes significam, aos
poucos os dedos que tudo apontavam para chamar, ganham papéis outros em sua
vida. Difícil entender e assimilar a extensão de tudo isso, assemelham-se aos
seus passos ligeiros que nos deixam para trás.
Ainda ontem assistíamos
vídeo de Maria correndo feliz para ver as galinhas do quintal da casa do Sr.
Humberto e de Dona Elisabeth. Passos fortes para ver a ‘cocó’. Maria estava
conosco assistindo e ficamos a nos perguntar se ela era capaz de se reconhecer
nas imagens. Os dias que seguem são velozes, temos apenas a certeza que muito
breve ela dirá o próprio nome. Ela cresce.
Crônicas de um pai: rosas brancas
Crônicas de um pai: rosas brancas
segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018
Crônicas de um pai: 'papai, quero colo!'
Crônicas de um pai: 'papai, quero colo!'
Passos firmes em minha direção, braços abertos para me tomar
pelas pernas e pedir atenção, pedir um abraço seguido de colo. Eu não resisto,
porque deveria, aliás, perder tantas chances. Eu a tomo em meus braços e atendo aos seus desejos. Maria gosta e pronto, nada mais importa,
ri de minhas tolices, mostra-se alegre com minha falta de jeito e de modos.
Sabe de minha inexperiência como pai e mostra-se aberta e franca para ensinar coisas
do seu mundo de bebê-quase menina. Respiro para retomar o prumo e coloco em suas
mãos pequenas a minha sinceridade de pai.
sábado, 17 de fevereiro de 2018
Crônicas de um pai: Dona Júlia e a touquinha de lã
Crônicas de um pai: Dona Júlia e a touquinha de lã
Foi grande a surpresa quando Dona Júlia nos trouxe uma touca de bebê de lã. Dona Vany a procurara mais cedo buscando informações sobre tipo de lã e número de agulha para peça que desejava fazer para Maria Luíza. Ao receber Dona Júlia ouvi: 'não sei se vai se lembrar'. Tomei a touquinha de lã em minhas mãos e disse de pronto que reconhecia o ponto, mas não sabia de quem era. Continuei a observar a peça e tive certeza de que os pontos eram os favoritos de minha mãe. Não sei tricotar, mas sou filho de uma profissional da lã. O desenho formado pelas carreiras e a transição entre as distintas cores levavam a assinatura Nassima Abdalla. Levei anos de minha vida ao seu lado vendo-a tricotar, ajudei-a desmanchar peças de lã um sem número de vezes. Lá estava, agora, uma touquinha de lã que minha mãe tricotou quatorze anos atrás. Ela pertenceu à neta de Dona Júlia que com capricho e carinho a guardou durante esses anos todos. Meus agradecimentos sinceros a Dona Júlia que a trouxe de volta e se dispõe a nos ensinar a tricotar a peça que logo mais pertencerá à neta de Dona Nassima.
Foi grande a surpresa quando Dona Júlia nos trouxe uma touca de bebê de lã. Dona Vany a procurara mais cedo buscando informações sobre tipo de lã e número de agulha para peça que desejava fazer para Maria Luíza. Ao receber Dona Júlia ouvi: 'não sei se vai se lembrar'. Tomei a touquinha de lã em minhas mãos e disse de pronto que reconhecia o ponto, mas não sabia de quem era. Continuei a observar a peça e tive certeza de que os pontos eram os favoritos de minha mãe. Não sei tricotar, mas sou filho de uma profissional da lã. O desenho formado pelas carreiras e a transição entre as distintas cores levavam a assinatura Nassima Abdalla. Levei anos de minha vida ao seu lado vendo-a tricotar, ajudei-a desmanchar peças de lã um sem número de vezes. Lá estava, agora, uma touquinha de lã que minha mãe tricotou quatorze anos atrás. Ela pertenceu à neta de Dona Júlia que com capricho e carinho a guardou durante esses anos todos. Meus agradecimentos sinceros a Dona Júlia que a trouxe de volta e se dispõe a nos ensinar a tricotar a peça que logo mais pertencerá à neta de Dona Nassima.
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