terça-feira, 17 de abril de 2018

Crônicas de um pai: não, não, não

Crônicas de um pai: não, não, não

Agora é assim, se Maria está saciada e não quer mais o que lhe oferecemos, ela tem o que dizer: 'não, não, não!'. Tudo acompanhado com o movimento negativo da cabeça. Outro dia virava o rosto, agora diz, agora comunica-se de forma clara. Permaneço longos instantes afagando a sua cabeça e procuro entender como ela aprende e apreende o mundo. Fico a me perguntar do que precisa para dar os seus saltos. Ela não é mais um bebê, Vany insiste que estou errado e a chama de RN. Maria é uma menina, ágil e dengosa, sempre a pedir atenção e cafuné. O dedo digital a buscar pelas canções que ouve. Sim, ela toma meu celular e pede os canais de músicas. Aprendeu a escolher, sabe em qual posição da tela sensível ao toque estão os comandos. Fico a observá-la, procuro entender que repertório vai se formando, apresento-lhe minhas sugestões e intercepto o lixo da rede. Cantamos juntos, apesar de Maria insistir, sobretudo, nos refrões. Ela é uma menina que ainda mama e come carne, finge que está dormindo e sorri quando lhe fazem cócegas. Maria é uma menina, a minha menina. Faço-lhe mamadeira e troco as suas fraldas, ciente de que, em breve, caminhará para longe em suas reinações. Assim é. Damos-lhe o melhor de nós para que logre ser o que começou a sonhar ainda na barriga de sua mãe.
Tenho uma filha, sou pai!
Maria é minha menina!
Grato, dona Vany!
beijos

quinta-feira, 12 de abril de 2018

Crônicas de um pai: tirar o gesso


Crônicas de um pai: tirar o gesso

Dia longo e difícil. Dia de tirar o gesso e visitar a pediatra. O retorno ao ortopedista para avaliação da fratura e a visita rotineira ao pediatra coincidiram no dia de hoje. Pai e mãe andam à flor da pele com as tormentas das últimas duas semanas. Desde a quinta-feira da Semana Santa até agora sofremos as dores de uma bebê-quase menina. Logo cedo a romaria que ligava a sala de radiografias ao consultório do ortopedista e, depois, a sala de gesso. Os ossos estão se recompondo, por isso, o gesso que chegava até o cotovelo, agora, cobrirá apenas o antebraço. Serão mais três semanas de gesso. No total, minha filha ficará durante 5 semanas com parte de seu braço imobilizado por gesso. A agonia e o choro de minha filha ao retirar o gesso, rasgou-me ainda mais. Fiquei a lembrar dos últimos dias, de pessoas que são capazes de mentir para posar de responsáveis. Quantas lágrimas minha filha não derramou para pagar pela falta e descaso de outros.
Enquanto escrevo Maria dorme, depois do choro da manhã com a troca de gesso visitamos instantes atrás a sua pediatra. Ela nos acompanha desde o início, conheceu Maria miúda miúda e, hoje, a chama de amiga. O quadro geral de Maria é bom, a despeito de lhe terem tirado o sossego ao dormir, afinal dormir com o braço engessado não é a senha para uma noite tranquila. Maria e mãe aconchegadas descansam a expressão de ambas nos diz que caminhamos na direção certa.

terça-feira, 10 de abril de 2018

Crônicas de um pai: infinito agora

Crônicas de um pai: infinito agora

Os dias assemelham-se a uma linha contínua. Lembro-me dela miúda, lembro-me de suas reinações das primeiras semanas, no entanto, ela parece, aos meus olhos, ter tido, desde o primeiro dia, o semblante de hoje. Ela cresce, mas não cresce, teve sempre o mesmo jeito que leva nos olhos castanhos. Vivo um infinito agora com a minha menina.
Grato, Vany!

Crônicas de um pai: frases interrogativas

Crônicas de um pai: frases interrogativas

Os jogos de palavras são nossos conhecidos, ela pode levar minutos solfejando em sua linguagem bebê-quase menina. Nomear o mundo e narrar-lhe as histórias que tem para contar, agora ganharam a companhia das interrogações. Aprendeu a entonação de frases interrogativas e se põe a apontar e a indagar. Deus do céu! Quanta coisa para saber a respeito de si mesma e do mundo que a circunda!

segunda-feira, 9 de abril de 2018

Crônicas de um pai: tetê e pepê

Crônicas de um pai: tetê e pepê

Não havia me dado conta, Dona Vany foi a primeira a perceber. Maria diferencia o leite da mamadeira do leite de sua mãe, ela lhes dá nomes diferentes e, também, já se deu conta de quem são os responsáveis. Ontem ao nos deitarmos, Maria estava em nossa cama. A asa machucada pede cuidados maiores, Maria enfrenta dificuldades para achar posição confortável para a sua noite de sono. Em nossa cama encontrará braços e bichos de pelúcia para apoiar o gesso de sua dor de bebê-quase menina. Não é fácil, há manobras e acrobacias que não têm fim para embalar o sono de três e durante a noite-madrugada é possível ganhar ganchos de gesso no queixo.
Fui o primeiro a adormecer, Maria aguardava a chegada do sono. Não tardou para Maria Luíza buscar por mim e me acordar; 'Acoda, acoda!!'; ao abrir os olhos ouvi de sua boca um sonoro 'tetê!'. Ela desejava mamar e balançando de sono preparei-lhe a mamadeira. que, em instantes estava vazia. Satisfeita, agora, buscava pela mãe que tudo via e pediu com mimo 'pepê!'. Do tetê ao pepê, do leite de lata ao materno, ela domina códigos vários, bem como, demonstra ótimo apetite.
Agora, duplamente saciada pelos pais ela adormece. Silenciosos nos voltamos para os nossos travesseiros e antes de terminamos de dizer boa noite um ao outro já dormíamos.

sexta-feira, 6 de abril de 2018

Crônicas de um pai: cuco e cócó

Crônicas de um pai: cuco e cócó

Os dias seguem e a asa quebrada pede paciência e cuidado, Maria caminha e corre. Ela nomeia e sorri para o mundo. Por falar em asas, tudo que tem bico e asa é cócó. O casal de sabiás que nos visita todos os dias, a rolinha que vem ao nosso jardim buscar sementes, o cuco de nosso relógio, as maritacas que conversam em nossa rua são cócós.

Crônicas de um pai: o que fazer?


Crônicas de um pai: o que fazer?

A semana última foi repleta de interrogações temperadas com sofrimento. Pai e mãe sentiram as dores da asa quebrada. Apressaram-se em oferecer as próprias mãos para que ela caminhasse em segurança. Perguntaram-se como e quando ela quebrou a ponta da asa. Estamos aqui exauridos e, agora, crentes que será preciso oferecer ao anjo que mora em nossa casa lugar adequado às suas demandas e necessidades. Hora de oferecer-lhe algo mais, espaço maior aos seus passos, adequado à sua percepção de firmamento. Oxalá a escolha dos pais seja a certa. Decide-se muita coisa ao escolher uma escola. Ando a flor da pele nos dias que seguem, quase chorei ao ver foto de alunos do ensino médio do novo colégio, nos rostos jovens reconheci o de minha pequena Luíza, vi o meu tesourinho ali, crescida e feliz.