Crônicas de um pai: papai josias
lulu ofereceu-me muitos nomes nos últimos anos, pai transformou-se em baba, papul e outros tantos. fui chamado, também, pelos nomes que dona vany me deu ao passar dos dias.
pois bem, agora sou 'papai josias'. isso mesmo, lulu chamou-me assim. lembrei-me de pronto quando menina de poucos meses quando eu trocava as suas fraldas maria luíza esticou as pequenas mãos e ficou a tocar o meu rosto.
curioso saber que ela me chama assim apenas para a mãe, ainda espero ouvir o novo nome.
já tenho o meu lugar no mundo.
domingo, 20 de janeiro de 2019
Crônicas de um pai: papai josias
sábado, 19 de janeiro de 2019
Crônicas de um pai: o amarelo no quadro
Crônicas de um pai: o amarelo no quadro
parei em frente ao quadro e imaginei o artista com as suas cores. deixou de lado as formas conhecidas, esparramou com o pincel até que houvesse apenas a cor, ou antes, cores que se transformavam em outras, nuances que não seguiam as combinações da palheta. voltei-me para o artista e perguntei-lhe por que assim, o que desejava? absorto em sua demanda seguiu a sua composição. eu nada entendia e gostava, a subversão das combinações e o verde, o verde perdido em meio ao lilás e ao amarelo. fiquei ali, de pé. nada fazia sentido, parecia nada dizer ou dizia apenas que gostava assim.
maria luíza, ao pé de mim, chamou-me pela mão. esqueci-me do quadro do consultório da nutricionista e voltei-me ao ateliê de arcangelo ianelli. voltei ao dia em que descobri quadro de coleção particular no qual pintava a si mesmo em seu ateliê. ianelli trabalhava em tela grande, a luz que invadia o cômodo era intensa e ao seu lado, mocinha de talvez 8 anos, estava a sua filha. tranças longas, vestido amarelo. andava interessada no que o seu pai fazia com os seus brinquedos. ficou ali, deixou os seus próprios de lado e ficou ao lado do seu pintor.
venham, dona vany e lulu, já nos chamam, vamos ao consultório tratar com a nutricionista sobre ianelli e as cores.
parei em frente ao quadro e imaginei o artista com as suas cores. deixou de lado as formas conhecidas, esparramou com o pincel até que houvesse apenas a cor, ou antes, cores que se transformavam em outras, nuances que não seguiam as combinações da palheta. voltei-me para o artista e perguntei-lhe por que assim, o que desejava? absorto em sua demanda seguiu a sua composição. eu nada entendia e gostava, a subversão das combinações e o verde, o verde perdido em meio ao lilás e ao amarelo. fiquei ali, de pé. nada fazia sentido, parecia nada dizer ou dizia apenas que gostava assim.
maria luíza, ao pé de mim, chamou-me pela mão. esqueci-me do quadro do consultório da nutricionista e voltei-me ao ateliê de arcangelo ianelli. voltei ao dia em que descobri quadro de coleção particular no qual pintava a si mesmo em seu ateliê. ianelli trabalhava em tela grande, a luz que invadia o cômodo era intensa e ao seu lado, mocinha de talvez 8 anos, estava a sua filha. tranças longas, vestido amarelo. andava interessada no que o seu pai fazia com os seus brinquedos. ficou ali, deixou os seus próprios de lado e ficou ao lado do seu pintor.
venham, dona vany e lulu, já nos chamam, vamos ao consultório tratar com a nutricionista sobre ianelli e as cores.
terça-feira, 15 de janeiro de 2019
Crônicas de um pai: 'quero médico, quero remédio'
Crônicas de um pai: 'quero médico, quero remédio'
os últimos meses foram de calmaria, foram poucas as visitas médicas. bem diferente do primeiro ano. lembro-me de quando era preciso oferecer-lhe xarope e outros medicamentos via oral, era uma batalha. parte do medicamento ficava esparramado pelas nossas roupas e outra tanto lulu lançava longe.
os nossos cuidados tornaram os meses recentes serenos, lulu goza de boa saúde e cresce dentro do esperado. todavia, agora ela pede remédio. acreditamos que tenha a ver com músicas infantis nas quais os pais telefonam ao médico pedindo ajuda e, nos últimos dias, a minha cirurgia. ambas as situações contribuíram e, agora, nossa filha diz precisar de médico e abre a boca. lá vamos nós: 'aqui está o seu remédio, lembra a água e o suco, mas, de verdade, é medicamento feito de pelo doutor médico que acompanha o seu caso'. Durma bem, minha filha!
os últimos meses foram de calmaria, foram poucas as visitas médicas. bem diferente do primeiro ano. lembro-me de quando era preciso oferecer-lhe xarope e outros medicamentos via oral, era uma batalha. parte do medicamento ficava esparramado pelas nossas roupas e outra tanto lulu lançava longe.
os nossos cuidados tornaram os meses recentes serenos, lulu goza de boa saúde e cresce dentro do esperado. todavia, agora ela pede remédio. acreditamos que tenha a ver com músicas infantis nas quais os pais telefonam ao médico pedindo ajuda e, nos últimos dias, a minha cirurgia. ambas as situações contribuíram e, agora, nossa filha diz precisar de médico e abre a boca. lá vamos nós: 'aqui está o seu remédio, lembra a água e o suco, mas, de verdade, é medicamento feito de pelo doutor médico que acompanha o seu caso'. Durma bem, minha filha!
sábado, 12 de janeiro de 2019
Crônicas de um pai: vai dormir, papai!
Crônicas de um pai: vai dormir, papai!
bem que podia ser a hora do repouso, eu estava exausto. esperava ansioso que ela adormecesse. combinei com a casa que era hora de silêncio, trouxe a mamadeira e resgatei cacá, a fiel companheira, que foi ternamente abraçada por maria luíza. tudo caminhava bem, reinava silêncio, pouca luz, mamadeira, cama gostosa, e, de repente, ainda com os olhos pesados, maria luíza voltou-se para mim e disse: 'não, papai, não vou dormir! vai, papai! vai dormir!'. não bastasse dizer isso, usou o pequeno dedo para fechar os meus olhos...
em meio a tantas descobertas, dormir não está em sua programação.
bem que podia ser a hora do repouso, eu estava exausto. esperava ansioso que ela adormecesse. combinei com a casa que era hora de silêncio, trouxe a mamadeira e resgatei cacá, a fiel companheira, que foi ternamente abraçada por maria luíza. tudo caminhava bem, reinava silêncio, pouca luz, mamadeira, cama gostosa, e, de repente, ainda com os olhos pesados, maria luíza voltou-se para mim e disse: 'não, papai, não vou dormir! vai, papai! vai dormir!'. não bastasse dizer isso, usou o pequeno dedo para fechar os meus olhos...
em meio a tantas descobertas, dormir não está em sua programação.
Crônicas de um pai: avião
Crônicas de um pai: avião
era um velho avião, um mirage machucado pelos longos voos. hoje, ele está em um dos acessos ao Campo de Marte. estacionado como se estivesse ganhando os céus em manobra acrobática.
de nada interessaria se não fosse caminho para o parque de areia no qual lulu brinca. menina-quase mocinha sabe reconhecer os caminhos que faz. ela associa cores e paisagens. apercebe-se do caminho e grita a cor e depois ouvimos um sem número de risadas.
pois bem, agora, o caminho do parquinho ganha gritos e gritos de avião. chama de todas as formas a nossa atenção para o que vê. da última vez descemos e a deixamos caminhar sob as asas do engenho suspenso no ar. maravilhou-se.
a hora de dizer adeus foi difícil. esperneou, mas logo convenceu-se que ainda havia um tanque de areia para brincar de construir e desmanchar. sentada em sua cadeira olhou de sua janela favorita e disse: 'tchau, avião, vá dormir!'
era um velho avião, um mirage machucado pelos longos voos. hoje, ele está em um dos acessos ao Campo de Marte. estacionado como se estivesse ganhando os céus em manobra acrobática.
de nada interessaria se não fosse caminho para o parque de areia no qual lulu brinca. menina-quase mocinha sabe reconhecer os caminhos que faz. ela associa cores e paisagens. apercebe-se do caminho e grita a cor e depois ouvimos um sem número de risadas.
pois bem, agora, o caminho do parquinho ganha gritos e gritos de avião. chama de todas as formas a nossa atenção para o que vê. da última vez descemos e a deixamos caminhar sob as asas do engenho suspenso no ar. maravilhou-se.
a hora de dizer adeus foi difícil. esperneou, mas logo convenceu-se que ainda havia um tanque de areia para brincar de construir e desmanchar. sentada em sua cadeira olhou de sua janela favorita e disse: 'tchau, avião, vá dormir!'
Crônicas de um pai: 'formiga, venha tirar foto!'
Crônicas de um pai: 'formiga, venha tirar foto!'
os brinquedos e as brincadeiras seguem as horas e as nuvens. a máquina fotográfica de lulu é das mais constantes. descobriu o visor, aprendeu a enquadrar com as suas mãos de menina-quase mocinha a paisagem na qual reina.
logo cedo, caminha rápido em direção ao quintal e chama os seus parceiros: formiga, tatu-bola, aranha e abelha. 'Formiga, venha tirar foto!'. Decidida, nada a impede em seu desejo de distribuir bom dia aos visitantes e chamá-los para fotografias.
determinada mesmo quando usa a máquina ao contrário oferecendo o visor à dona formiga e a lente
permanece voltada para o seu pequeno rosto. lulu diverte-se e ri. será que deseja ser fotografada? o que vê o tatu-bola ao olhar pelo visor? dona abelha sorri ao ver pela primeira vez bem de perto os olhos de nossa filha?
nosso quintal é maior do que pensávamos.
os brinquedos e as brincadeiras seguem as horas e as nuvens. a máquina fotográfica de lulu é das mais constantes. descobriu o visor, aprendeu a enquadrar com as suas mãos de menina-quase mocinha a paisagem na qual reina.
logo cedo, caminha rápido em direção ao quintal e chama os seus parceiros: formiga, tatu-bola, aranha e abelha. 'Formiga, venha tirar foto!'. Decidida, nada a impede em seu desejo de distribuir bom dia aos visitantes e chamá-los para fotografias.
determinada mesmo quando usa a máquina ao contrário oferecendo o visor à dona formiga e a lente
permanece voltada para o seu pequeno rosto. lulu diverte-se e ri. será que deseja ser fotografada? o que vê o tatu-bola ao olhar pelo visor? dona abelha sorri ao ver pela primeira vez bem de perto os olhos de nossa filha?
nosso quintal é maior do que pensávamos.
terça-feira, 1 de janeiro de 2019
Crônicas de um pai: cuidado!
Crônicas de um pai: cuidado!
'meu diário,
algo mudou nas últimas semanas. meu pai, tempos atrás, oferecia-me palavras novas aos montes. ele as trazia em seus bolsos e as largava frente aos meus olhos. lembro-me do dia em que falou-me do firmamento. explicou-me a sua importância para a aventura e o porvir. contou-me sobre neologismos e mostrou-me a coleção de dicionários de nossa casa.
agora, meu pai mudou. repete o vocábulo 'cuidado' aos borbotões. ele não me entende, não percebe que estou ciente dos riscos. crê que atravessar a rua sem olhar para os lados em busca de passarinhos é arriscado. conversa intermináveis segundos comigo para se explicar. 'cuidado, cuidado!' quando mais precisava de palavras novas para entender o mundo, mais ouço a mesma'.
'meu diário,
algo mudou nas últimas semanas. meu pai, tempos atrás, oferecia-me palavras novas aos montes. ele as trazia em seus bolsos e as largava frente aos meus olhos. lembro-me do dia em que falou-me do firmamento. explicou-me a sua importância para a aventura e o porvir. contou-me sobre neologismos e mostrou-me a coleção de dicionários de nossa casa.
agora, meu pai mudou. repete o vocábulo 'cuidado' aos borbotões. ele não me entende, não percebe que estou ciente dos riscos. crê que atravessar a rua sem olhar para os lados em busca de passarinhos é arriscado. conversa intermináveis segundos comigo para se explicar. 'cuidado, cuidado!' quando mais precisava de palavras novas para entender o mundo, mais ouço a mesma'.
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