sábado, 11 de fevereiro de 2017

Crônicas de um pai: cri-cri, cri-cri

Crônicas de um pai: cri-cri, cri-cri

Pais sambam, sobem ao trapézio e trocam fraldas, tomam café com uma das mãos e com a outra carregam a máquina de lavar, espirram e tomam banho com ouvidos apurados para saber se Maria Luíza acordou. Pais se multiplicam e reinventam roteiros. Fazem de tudo para trazer o senhor do sono para visitar a filha inclusive cri-cri ao cair da noite. Algo assim, eu a acalentei em meus braços e, de forma suave, imitei o grilo que mora em nosso quintal. Os olhos de quem quer saber da pequena Maria ficaram iluminados para logo em seguida mergulharem no silêncio do sono.

Pais são assim, felizes e tolos.

Crônicas de um pai: 9 + 3 = 1 ano

Crônicas de um pai: 9 + 3 = 1 ano

No dia 26 de janeiro, Maria Luíza aniversariou. Chegou aos seus 3 meses de idade. Disposta, resmungona e linda. Em apenas três meses revolveu toneladas de terras que causaram o açoreamento dos rios de minha vida. Reconstruiu paredes e cômodos do solar em que nasci e sem dar sinal algum de cansaço ou de indisposição me convida para um passeio no parque sob ipês em flor.

Obrigado, Vany!

Crônicas de um pai: de como a mãe conseguiu trocar de roupa

Crônicas de um pai: de como a mãe conseguiu trocar de roupa

Se acordada não há quem possa com ela, não há quem não seja forçado a se equilibrar em um trapézio usando mãos e pés para mil é uma tarefas.

A mãe descobriu maneira de se vestir, para tanto urge ser rápido.

Segure o bebê com apenas um dos braços, com o outro arrume o berço para deitar o bebê e, ainda, dê corda no móbile. Conseguiu? Ótimo! Seja ligeira, coloque o bebê no berço com apenas um braço, com o outro tire o pijama. Seja ágil, a corda do brinquedo está no fim. Coloque o que for possível da roupa - sempre falta alguma peça - mas não se preocupe, o mundo sabe que você é mãe e não ficará preocupado se a blusa estiver no avesso.

Rápido! Dê mais corda no brinquedo, do contrário correrá o risco de uma vez mais não conseguir calçar os sapatos.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

Crônicas de um pai: RN tamanho G

Crônicas de um pai: RN tamanho G

Vany, a mãe, insiste: é um recém-nascido. Eu retruco: ela usa G. Entre RN e G ficamos admirados de nossa pequena grande menina.

Crônicas de um pai: o ronco de um fusca 1300

Crônicas de um pai: o ronco de um fusca 1300

Cumpri de forma parcial a minha promessa de nas férias de janeiro levá-la para um passeio de fusquinha. O máximo que consegui foi fazer o motor do pequeno besouro bege alabastro funcionar. Fiquei aliviado com o giro do motor e ao perceber que a marcha lenta funcionava. Marcelo, nosso mecânico, nos ajudou.

Levei Maria Luíza pelo braço cheio de orgulho para que ela pudesse, pela primeira vez, ouvir o ronco de um boxer 1300. Coisas de pai, minha Maria nada entendeu do que eu dizia, apenas escancarou a sua pequena boca banguela.

Crônicas de um pai: Aprender a sorrir com as três Marias

Crônicas de um pai: Aprender a sorrir com as três Marias

O sorriso de minha filha recria o mundo, redistribui papéis e pede que transforme a minha dor em gesto de carinho. Confesso que vez por outra fico em frente ao espelho a me perguntar se posso encantar com os meus lábios. Mãe e filha pedem e merecem sorrisos, anseiam e sonham com sinais de afeto e de serena cumplicidade. Vany abriu janelas fechadas há muito e trouxe o sol de volta.

Mazelas e aflições dos últimos anos dissolvidas, agora, pela minha família me leva a trazer do tempo o sorriso de minha mãe. Ela teve em seus dias sorriso generoso e misericordioso. Aos poucos, o outono veio roubar algo daquele movimento farto de lábios de quem agradece a vida, todavia, bastava um gesto e ela se lembrava de si mesma. Sorria farto e iluminava o dia. E é assim, ao lado das três que eu me recupero e agradeço: viver a vida pede empenho e franqueza.

Crônicas de um pai: o sorriso da filha e o choro da mãe

Crônicas de um pai: o sorriso da filha e o choro da mãe

De repente as manchas se multiplicaram, diferentes e crescentes. Nada parecido como uma simples dermatite, nossa pediatra buscou literatura  de vizinhas de consultório. Ficamos ali, com o coração na mão e a rogar por uma solução.

Os últimos dias foram de atenção redobrada, nossa pequena foi medicada e acompanhada. Aprendemos que quando a luz da casa dorme mais do que o esperado em virtude dos medicamentos nos sentimos menores, nos sentimos abatidos.

Vany chorou e chorou ao se dar conta de que o sorriso de Maria faltava, de que a resmungona da casa preferia dormir a tagarelar. As horas foram longas, a espera do efeito das fórmulas médicas demoravam a chegar. Acreditávamos na melhora, mas éramos desafiados pelo tempo que não avançava.

Fizemos as pazes e, agora, em meio à chuva, os resmungos e os sorrisos voltaram, as manchas aos poucos vão esmaecendo.

Beijo, filha!