Mostrando postagens com marcador Galiza. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Galiza. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 26 de junho de 2019

Ramón Otero Pedrayo

Ramón Otero Pedrayo: velho como a terra

A singularidade de sua maneira de experimentar a sua terra conferiu à sua escrita personalidade.
A língua escolhida para dar voz aos seus personagens e tramas aos poucos recuperava o fôlego
literário que tivera noutros tempos. Desde a unificação dos reinos ibéricos na Idade Média
o castelhano, língua de Castela, coroa do Reino da Espanha, ganhara primazia régia frente aos demais
reinos e as suas línguas. A Galiza de Otero Pedrayo aos poucos desaprendeu o galego. De tanto caminhar
pelos interiores do seu mundo, de tanto ouvir os seus moradores e as suas falas, decidiu-se
que lhe cabia dar letra às vozes que conhecia e amava. Escrita amorosa.

sexta-feira, 14 de junho de 2019

Ramón Otero Pedrayo, o olhar

Ramón Otero Pedrayo, o olhar

As viagens de carruagens deram lugar aos caminhos de ferro. Em um par de anos os viajantes
cruzavam territórios. Olhares atentos e o desejo de descobrir as gentes e os lugares. Escritores
como Goethe e Herculano, o Alexandre, combinavam em suas viagens Arte, História e Arqueologia.
Otero Pedrayo, em larga medida, pertenceu ao mundo dos autores de 'Viagem à Itália' e 'Lendas e
Narrativas'. De tanta correr o seu chão galego ganhou mesmo das companhias de ônibus o direito
de viajar quantas vezes desejasse. Se Goethe rememorava lugares que conheceu em seus livros e Herculano inventariava vestígios e edifícios perdidos, Otero Pedrayo encantava os seus caminhos. O Mapa de Fontán foi apercebido como representação do mirabilis galego (assim mesmo, o verbo aperceber que não é o mesmo que perceber e o mirabilis dos medievos). Compreensível quando nos damos que a sua sociedade foi palmilhada e sacralizada pela literatura do Códice Calistino.

(continua)

sexta-feira, 2 de setembro de 2016

Notas de leitura: Ramón Otero Pedrayo (1888-1976)

Notas de leitura: Ramón Otero Pedrayo (1888-1976) [I]

Há autores que nos acompanham. A leitura de uma obra, a fascinação e a experiência de uma jornada em companhia de um autor/inventor cria vínculo perene. Entre os meus conhecidos está o escritor Otero Pedrayo. Sentimos saudades de nossos amigos, saudades de suas obras, das linhas e da sintaxe, da maneira como pinta a página em  branco dos seus cadernos para compor.

(continua)

terça-feira, 26 de julho de 2016

25 de Julho, dia de São Tiago de Compostela

Tiago, apóstolo, de acordo com a tradição, levou a fé cristã à Península Ibérica. Séculos depois, no século XII, o Arcebispo Gelmires realizou grande reforma na catedral da cidade de São Tiago e, também, fomentou a peregrinação ao sepulcro do apóstolo. Séculos depois, agora no XX, a peregrinação declinará, a memória do santo padroeiro era, sobretudo, restrita ao território do Reino da Espanha. No XX, o escritor Ramón Otero Pedrayo empenha-se e auxilia na redescoberta dos caminhos de fé e de peregrinação. A cidade de São Tiago renasce. Trago aqui, para fazer memória de São Tiago, trecho de Otero Pedrayo tratando do Arcebispo Gelmires. O texto que vamos ler está escrito em língua galega: "A Catedral crecía como unha fermosa roseira sobre a tumba. Xelmírez erigiu primeiro o maravilloso altar do Apóstolo".
(falar disso nesta semana, me faz voltar aos dias em que lá estudei e perambulei entre bibliotecas; grato por tudo São Tiago)