Crônicas de um pai: o céu de água
O raciocínio faz das suas, a minha mocinha aprende aqui e já está a usar o que aprendeu, estabelece relações e conexões. A água que bebe, a água do chuveiro, a água da pia, tudo é 'acull'. Sabe que peixes vivem na acull, sobretudo, depois que ganhou um beta. Beta e a acull estão juntos em nossa cozinha. As ilustrações dos seus livros de brincar, por exemplo, o da ursa que se fez mergulhadora para recuperar o pote de mel perdido, ou do filhote de elefante que passeia e descobre a floresta de perigos na qual vive estão cheios de páginas e páginas com ilustrações de água. De tão presente em sua vida, ontem, ao olhar para o céu - como se fosse a primeira vez - ela decidiu que o céu também era água. Ia dizer-lhe que era apenas o céu, mas dei-me conta que a cor era semelhante ao de seus livros de brincar. Sim, o céu tinha a cor da água que a encanta. Disse-lhe que sim, parecia acull, mas era céu, era um mar diferente.
Ela está crescendo e eu já comecei a engasgar nas respostas.
terça-feira, 8 de maio de 2018
Crônicas de um pai: o céu de água
Crônicas de um pai: vamos dormir, meu amor!
Crônicas de um pai: vamos dormir, meu amor!
Ela é conservadora, desde que era um bebê acorda, em média, duas vezes durante a noite/madrugada. De nada adianta oferecer-lhe uma feijoada completa no jantar seguida de um pudim de leite condensado, ela acordará assim mesmo entre choros e sorrisos dengosos. Muitas vezes desperta apenas para pedir a companhia de alguém, noutras ocasiões, como ninguém é de ferro, beberá alguns mililitros de leite e virará para o lado em busca do sono de beleza. Nada mudou desde outubro de 2016..
Ela é conservadora, desde que era um bebê acorda, em média, duas vezes durante a noite/madrugada. De nada adianta oferecer-lhe uma feijoada completa no jantar seguida de um pudim de leite condensado, ela acordará assim mesmo entre choros e sorrisos dengosos. Muitas vezes desperta apenas para pedir a companhia de alguém, noutras ocasiões, como ninguém é de ferro, beberá alguns mililitros de leite e virará para o lado em busca do sono de beleza. Nada mudou desde outubro de 2016..
sexta-feira, 4 de maio de 2018
Crônicas de um pai: ninar a Cacá
Crônicas de um pai: ninar a Cacá
Nossa mocinha faz das suas. Ao chegar em casa dirige-se ao quarto chamando...Cacá! Cacá! Ao encontrá-la saúda com felicidade: Uiaaa!!! Cacá! Abraçada à sua ovelha branca escolhe lugar agradável para ninar a sua amiga: Dooome, dooome!
Foram situações assim que me fizeram, por fim, entender o alcance daquele nome que as mulheres adoram: fofura!
Nossa mocinha faz das suas. Ao chegar em casa dirige-se ao quarto chamando...Cacá! Cacá! Ao encontrá-la saúda com felicidade: Uiaaa!!! Cacá! Abraçada à sua ovelha branca escolhe lugar agradável para ninar a sua amiga: Dooome, dooome!
Foram situações assim que me fizeram, por fim, entender o alcance daquele nome que as mulheres adoram: fofura!
Crônicas de um pai: visitar a tia-avó
Crônicas de um pai: visitar a tia-avó
'Querido diário,
visitei na segunda última minha tia-avó, ela está linda e bem de saúde. Meu pai insistiu na semelhança dela com a minha avó Nassima. A expressão do rosto, a maciez dos cabelos e as mãos lhe traziam algum conforto. De forma coincidente minha tia-avó fará aniversário no mesmo dia do aniversário de partida de minha avó.
Há motivos para celebrarmos,
beijos para todas as Abdalla!
'Querido diário,
visitei na segunda última minha tia-avó, ela está linda e bem de saúde. Meu pai insistiu na semelhança dela com a minha avó Nassima. A expressão do rosto, a maciez dos cabelos e as mãos lhe traziam algum conforto. De forma coincidente minha tia-avó fará aniversário no mesmo dia do aniversário de partida de minha avó.
Há motivos para celebrarmos,
beijos para todas as Abdalla!
Crônicas de um pai: Olha o avião!!
Crônicas de um pai: Olha o avião!!
Aviões e helicópteros entraram no raio de ação de Lulu, grandes e barulhentos as engenhocas voadoras chamam a sua atenção. Eu e Vany nos damos conta apenas agora de que a luminária de teto do quarto de nossa filha leva pendurado um monoplano. (Começou assim a sua paixão?)
Segunda última a prima Bianca quase perdeu o fôlego de tanto caminhar, de tanto subir e descer escadas, de tanto levá-la para ver os aviões em seu itinerário de cruzar os céus.
O encantamento e a descoberta são pares.
quinta-feira, 3 de maio de 2018
Crônicas de um pai: livros perdidos
Crônicas de um pai: livros perdidos
Dia desses busquei pela ficção científica de Ray Bradbury, em particular, Fahrenheit 451. Livros são queimados pelos bombeiros, estamos em uma sociedade que a cada dia persegue e destrói o escrito. Gerações e gerações em suas memórias e ruminações destruídas pelo fogo. Romances e ensaios em meio às cinzas. Busquei pelo livro por sentir medo do meu próprio tempo, medo dos 'bombeiros' contemporâneos que, por ora, cultuam a simplificação do escrito. Logo mais, estou certo, pedirão a criação de uma linguagem dita acessível que caiba em uma frase de 100 caracteres. Vocabulário simples e direto, longe dos exercícios da linguagem. Os incineradores dos nossos tempos andam sedentos, a deseducação, hoje, é tratada como algo popular.
Dia desses busquei pela ficção científica de Ray Bradbury, em particular, Fahrenheit 451. Livros são queimados pelos bombeiros, estamos em uma sociedade que a cada dia persegue e destrói o escrito. Gerações e gerações em suas memórias e ruminações destruídas pelo fogo. Romances e ensaios em meio às cinzas. Busquei pelo livro por sentir medo do meu próprio tempo, medo dos 'bombeiros' contemporâneos que, por ora, cultuam a simplificação do escrito. Logo mais, estou certo, pedirão a criação de uma linguagem dita acessível que caiba em uma frase de 100 caracteres. Vocabulário simples e direto, longe dos exercícios da linguagem. Os incineradores dos nossos tempos andam sedentos, a deseducação, hoje, é tratada como algo popular.
Crônicas de um pai: olha!!
Crônicas de um pai: olha!!
O vocabulário cresce aos saltos, Maria Luíza responde e solicita. Água é aguu, o verbo apertar virou apeta, saúde - quando alguém espirra ao seu lado - é said e por aí vai. A cada dia, há novas palavras luluzianas ao nosso dispor. Aos 18 meses ela é uma menina, o bebê estava entre nós no dia de ontem, hoje, há aqui uma menina que deseja mexer na caixa de esmaltes da mãe e quer usar e quer pintar os dedos e as mãos. Os cremes foram experimentados e classificados, insatisfeita em usá-los apenas em suas mãos, ela os distribuiu aos pais e aos bichos de pelúcia.
Não resisto ao seu dedo indicador junto ao rosto para chamar a atenção do mundo ao seu redor. 'Olhaa'!!! Ela é a minha mocinha!
O vocabulário cresce aos saltos, Maria Luíza responde e solicita. Água é aguu, o verbo apertar virou apeta, saúde - quando alguém espirra ao seu lado - é said e por aí vai. A cada dia, há novas palavras luluzianas ao nosso dispor. Aos 18 meses ela é uma menina, o bebê estava entre nós no dia de ontem, hoje, há aqui uma menina que deseja mexer na caixa de esmaltes da mãe e quer usar e quer pintar os dedos e as mãos. Os cremes foram experimentados e classificados, insatisfeita em usá-los apenas em suas mãos, ela os distribuiu aos pais e aos bichos de pelúcia.
Não resisto ao seu dedo indicador junto ao rosto para chamar a atenção do mundo ao seu redor. 'Olhaa'!!! Ela é a minha mocinha!
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